Filhos x Felicidade

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Ontem resolvi separar umas horinhas do dia, para me cuidar. Fui ao salão pintar e cortar meu cabelo. Parece que foi fácil lendo assim, né??A verdade é que ser mãe de duas crianças é bem diferente de ser mãe de apenas uma criança. Como eu gostaria de ter mais horas no dia, ter mais mãos para conseguir fazer mais coisas ao mesmo tempo e mais energia para aguentar o ritmo. Risos!! Nunca imaginei que as raves, que tanto frequentei quando era solteira me ajudassem tanto agora, que sou mãe: noites e mais noites sem dormir e mesmo assim, disposta o dia todo.Mas claro, como já disse por aqui… tudo está sendo mais fácil com o segundo filho porque já estava preparada para tal experiência.

Brincadeiras à parte… ontem, antes de sair de casa, fiquei imaginando o que faria com as crianças enquanto estava no salão. Deixar o Henrique com alguma tia coruja? deixá-lo na casa da minha avó? com minha mãe na loja, enquanto trabalhava? em casa com o marido? e o Joaquim? o levaria comigo para o salão? e o cheiro de química que teria no salão? se o deixasse com alguém como eu o amamentaria? Será que ia ser atendida na hora ou ficaria esperando por muito tempo? etc..sorte a minha, que tenho uma família grande que tem o maior prazer em me ajudar.

Minutos pensando… resolvi ordenhar um pouco do meu leite e guardá-lo na geladeira até resolver o que faria. Dei banho no Joaquim e o arrumei; tomei banho; arrumei as mochilas dos meninos; acordei meu marido; acordei o Henrique; dei o lanche da tarde para o Henrique; amamentei o Joaquim e lá fomos nós…eu no banco de trás do carro entre: o Henrique em sua cadeira e o Joaquim em seu bebê conforto. Não posso engordar uma grama, caso contrário não vou caber lá atrás. Risos!

Meu marido me deixou no salão e eu o enchi de recomendações: lembrar a hora de dar mamadeira para o Henrique, em como esquentar o meu leite para dar ao Joaquim, para ele dirigir com cuidado, para prestar atenção nos meninos no banco de trás, não deixando o Henrique bater no Joaquim etc. Chegando ao salão fui atendida prontamente depois que expliquei minha situação, tinha apenas 3 horas disponíveis; isso se o Joaquim não estivesse naqueles dias esfomeados em que mama e em menos de uma hora já está com fome novamente.

Fiz tudo o que tinha que fazer pensando em como eles estariam mesmo confiando na minha intuição, de que estava tudo em ordem: marido e filhos na casa da minha avó, me esperando. Resolvi não ligar e ver no que ia dar.Final das contas deu tudo certo; só na hora de ir embora é que fiquei meio desesperada. Não fui de carro pela dificuldade de achar vaga para estacionar, se ligasse para o meu marido ir me buscar ele ia demorar mil horas – organizar os meninos mais trânsito. O mesmo aconteceria comigo se entrasse em um ônibus, naquele horário. Estava tudo parado! E para a minha maior ansiedade, meus seios começaram a dar sinal, de que estavam cheios de leite – isso nada mais é que Joaquim me chamando, avisando-me de que está com fome. Lembrei que estava no horário da minha mãe fechar a loja, para ir embora. Pegaria uma carona com ela…subi até à loja e a funcionária me avisou que ela tinha acabado de descer para pegar o carro: desci as escadas no shopping correndo, avistei o local onde ela costuma estacionar o carro e a vi saindo, corri até ela mas já era tarde, corri mais um pouco na esperança que ela pegasse, mais na frente, um sinal vermelho mas não tive esta sorte…ela não me viu e se foi.

Fui até um ponto de táxi e expliquei minha situação: “Preciso chegar em tal local mas, o senhor teria como passar por outro local para pegar menos trânsito? Tenho um bebê para amamentar”. O taxista se solidarizou e fez um trajeto super rápido. Final de história, que parece sem fim!? Crianças tinham sobrevivido sem a minha presença!Para quem ficou curioso: sim!! amamentei Joaquim mas este, não estava desesperado para mamar como tinha imaginado. Acho que o que senti foi culpa mesmo.

Esta foi a minha maratona para fazer apenas um cabelo, minha gente!! Que mãe, que assim como eu, não sente saudades de sair sem horário para voltar, de uma banho demorado, de sair para jantar fora com o marido sem se preocupar com mais nada, de ir ao cinema quando bem entender, ver um filme na televisão sem precisar colocar em algum desenho infantil,não se preocupar com o almoço e a janta?? Tudo muda depois que viramos mãe. Por mais que eu tenha uma família maravilhosa que se prontifique a ficar com meus filhotes, não é a mesma coisa. Esses momentos que antes eram tão corriqueiros no nosso dia a dia e que muitas vezes, nem dávamos o devido valor se tornam raros e muitas vezes, quando o fazemos, o fazemos com culpa: culpa por deixarmos nossos filhos aos cuidados de outras pessoas, por no fundo sentirmos que estamos sendo egoístas em querer ter um tempo só para a gente, medo das pessoas pensarem que não somos boas mães ou que não amamos tanto nossos filhos etc. Estou dizendo isso, porque convivo com algumas mães que estão infelizes.Abriram mão de, absolutamente, tudo por causa dos filhos. O que fazer, então?

Para boa parte dos pais e (sobretudo) das mães, filhos pequenos são sinônimo de cansaço, estresse, isolamento social e – não tenhamos medo das palavras – um certo grau de infelicidade. Ninguém fala disso abertamente. É feio. As pessoas têm medo de se queixar e parecer desnaturadas. O máximo que se ouve são referências ambíguas e cheias de altruísmo aos percalços da maternidade, como no chavão: “Ser mãe é padecer no Paraíso”.

Muitas que passaram pelo padecimento não se lembram de ter visto o Paraíso e, mesmo assim, realimentam a mística. Costumam falar apenas do amor incondicional que nasce com os filhos e das alegrias únicas que se podem extrair do convívio com eles. A depressão, as rachaduras na intimidade do casal, as dificuldades com a carreira e o dinheiro curto – disso não se fala fora do círculo mais íntimo e, mesmo nele, se fala com cuidado. É tabu expor a própria tristeza numa situação que deveria ser idílica.

Para mim, ter filhos é uma opção, uma causa que você abraça, um estilo de vida que cada casal leva do seu jeito. E existe sim muita frustração, muito cansaço, muita angústia, muito medo, muita culpa, gastos… aquela vida (social, sexual…) que você tinha e que some/muda rapidinho. Mas, pelo menos na minha vida materna, “infelicidade” é uma coisa que não existe. Todos os outros sentimentos existem ou já existiram nesse coraçãozinho aqui,mas nunca me senti “infeliz” em ser mãe.

Lembro que depois que me casei e comecei a falar em ter filhos, algumas pessoas diziam “não tenha filhos tão cedo, curta o seu casamento primeiro etc.” Ou seja, as pessoas nos alertam sim, de maneira muito negativa e subjetiva.

Claro que poderiam ter me pego pelo braço e dito a real mesmo: “Cátia, é o seguinte. Essa sua vida sossegada, egoísta, livre, vai acabar quando você tiver filhos. E ser mãe é muito, mas muito mais difícil do que você pode imaginar”. Mas as pessoas normalmente só falam das trocas de fralda, da privação de sono… Não falam desses sentimentos ambíguos que temos durante toda a jornada da maternidade.

Desde o comecinho, se alguém me perguntava como era ser mãe, eu sempre contava todos os percalços, todos os perrengues, nunca fantasiava ou enchia de flores. Contava os dois lados da moeda, o bom e o ruim. E acho que assim que tem que ser mesmo.No fundo, bem no fundo, todo mundo sabe que ser pai e ser mãe é punk e que tem horas que temos vontade de largar tudo e fugir pra Europa. Afinal, você não abandona sua condição de ser humano porque teve filhos.

Mas como não amar nossos pequerruchos??? Não trocaria minha vida por nada, neste mundo. Por dinheiro, por spa (RSRSRS), por viagem, por NADAAAA…. e escrevo isto, com a maior convicção do mundo, porque sei o quanto eles nos tornam serem melhores. O sorriso dos meus filhos é o que tenho de mais valioso, nesta vida.

E termino este post, sobre os dilemas maternos, com o que o filósofo Luiz Felipe Pondé,disse sabiamente: “O desafio de ser pai ou mãe requer virtudes como coragem e generosidade – e talvez alguma dose de loucura”.

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Sobre Mães de Plantão

Sou jornalista de formação, blogueira por paixão, esposa e full time mom de uma belíssima dupla: Henrique e Joaquim; uma mamãe ocupada por opção e de coração! Mães de Plantão é um blog com conteúdo voltado especialmente para mães, gestantes ou ainda, apenas simpatizantes desse grande projeto de vida chamado “ter filhos”. Logo que me tornei mãe, surgiu a vontade de compartilhar dicas e informações que fossem úteis para outras mães, com opiniões colocadas de uma forma bem direta, leve, descontraída e acima de tudo, honesta. Todo o conteúdo é criado e selecionado com muito carinho antes de ser publicado porque sei o quanto ficamos felizes e aliviadas quando encontramos alguém para dividir os mesmos dilemas deste, imenso,universo infantil.. Este blog serve para ajudar as mães de primeira viagem que assim como eu, sonharam por este momento único em suas vidas e querem dar o melhor de sí para este novo ser, que de alguma forma nos torna uma pessoa melhor a cada dia. Tornam sim, não por mágica. Tornam-nos melhores porque se não queremos que gritem não podemos gritar. Porque se não queremos que mintam não podemos mentir. Porque temos de cumprir o que prometemos se queremos que o façam algum dia. Aprendemos depressa que se queremos que não façam não podemos fazer. Sim, os filhos têm esse dom. O dom de nos obrigarem a pensar no que fazemos.

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