Síndrome de alienação parental pode levar criança à depressão

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Como o pai excluído pode detectar a síndrome?

A primeira reação da criança que está sofrendo com a síndrome de alienação parental vai ser se afastar do outro genitor. “Ela não quer mais ver o pai, fica receosa em cruzar com ele ou ela, se afasta e não cria vínculos, não se sente mais a vontade na presença daquela pessoa, pois é passado para ela que seu pai é alguém malvado”, descreve o pediatra Marcelo Reibscheid, do Hospital e Maternidade São Luiz. Conforme o pai for percebendo o afastamento, ele pode então pensar em que atitude tomar quanto a isso.

O que fazer para parar com o processo?

Em primeiro lugar, deve-se conversar com seu ex-cônjuge para tentar entender melhor o que está acontecendo e o que o motiva a ter esse tipo de atitude, pedindo para que ele pare. Caso isso não dê resultado, existem providências legais que o pai excluído pode tomar. “Ele deve entrar em contato com um advogado, para evitar perder o vínculo judicialmente, e aproveitar esse tempo para conversar com a criança e trabalhar isso”, frisa a psicanalista Priscila Gasparini. Em muitos casos, se for dada a entrada em um processo alegando alienação parental e isso for confirmado por laudo de um psicólogo, o genitor alienante pode perder a guarda da criança, que será passada ao outro pai ou aos avós, caso a relação entre pai e filho esteja muito desgastada.

Como é possível se reaproximar do filho?

Em casos mais leves ou quando as mentiras estão bem no começo, o pai pode explicar seu lado para a criança. Quando o vínculo anterior entre eles era bem forte, o filho tende a sondar e até mesmo perguntar diretamente ao pai se a informação passada para ele é verdadeira. É importante também que ele reforce a aproximação, e existem diversas formas de fazer isso. “Pode-se buscar a criança para passear, participar da vida dela, fazerem juntos algum projeto da escola, por exemplo. Tudo isso é benéfico para a criança ver que ele se interessa pelo mundo dela”, lista a psicanalista Priscila.
Por outro lado, algumas atitudes do pai excluído podem aumentar ainda mais o afastamento. “Começar a bater boca com o outro cônjuge em frente à criança e ter reações agressivas pode atrapalhar, pois confirmam as acusações feitas pelo outro”, adverte o pediatra Marcelo. Colocar outras pessoas nesses momentos iniciais de recriação do vínculo também pode atrapalhar, afinal esse momento precisa ser primeiro do pai com o filho. Um exemplo são homens que querem apresentar sua nova namorada para as crianças, mas a mãe pode estar falando mal de ambos para elas, dizendo que ela “roubou o papai de nós”.

Que consequências isso traz para a criança?

São diversos os malefícios que isso pode causar no pequeno. “Os pais normalmente são heróis para criança, e nessa situação eles perdem uma de suas referências e modelos”, assinala o pediatra Marcelo. A criança certamente ficará triste com a situação e decepcionada, até tem maiores chances de desenvolver quadros de doenças emocionais no futuro. “O que eu mais percebo durante a infância ainda é o desenvolvimento de quadros depressivos ou de ansiedade, ou até mesmo o agravamento de Transtorno de Deficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH)”, exemplifica o especialista. Mesmo na idade adulta, elas têm maiores riscos de apresentarem esse tipo de problema.

Como pessoas próximas podem perceber o problema?

Principalmente, parentes e professores. “Os avós podem sentir a ausência e ajudar a buscar, ligar e reafirmar essa questão, afinal não é apenas um dos pais que é afastado nessas situações, mas toda a família”, ressalta a psicanalista Priscila. No caso de pessoas próximas, que não sabem o que acontece no cotidiano de casa da criança, é possível observar mudanças de comportamento. “Ansiedade, depressão, angústia e até mesmo agressividade, dependendo da idade, podem sinalizar esse problema”, reitera a profissional.

Como fica a relação familiar no futuro?

Diversos quadros são possíveis. Se o que o pai disse não foi muito grave, a reconciliação pode ser bem mais simples. Em alguns casos o cônjuge alienante pode fazer acusações falsas como a de abuso sexual à criança, o que causa um desgaste imenso na relação. Quando o caso vai ao tribunal, o filho normalmente é levado a um acompanhamento psicológico, justamente para entender o que era verdade e o que era mentira no que lhe foi contado.
E no caso do pai alienante? “O tratamento psicológico feito com a criança aponta a situação como uma deficiência desse pai, para tentar não piorar a situação. O contato com esse genitor é menor e muitas vezes feito com acompanhamento de assistente social”, ensina a psicanalista Priscila.

O pai alienante tem consciência do mal que está fazendo?

Normalmente não. É muito raro que um pai queira fazer mal ao próprio filho, ele normalmente só percebe que está prejudicando o antigo parceiro. “Em geral a pessoa está lidando mal com o término, ela fica com o emocional aflorado e o foco é si mesma. Quer resolver ela seus problemas, custe o que custar”, analisa a psicanalista Priscila Gasparini. Por isso, muitas vezes conversa e um acompanhamento psicológico podem fazer com que esse pai perceba o mal que fez e mude seu comportamento.

Fonte: Uol

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Sobre Mães de Plantão

Sou jornalista de formação, blogueira por paixão, esposa e full time mom de uma belíssima dupla: Henrique e Joaquim; uma mamãe ocupada por opção e de coração! Mães de Plantão é um blog com conteúdo voltado especialmente para mães, gestantes ou ainda, apenas simpatizantes desse grande projeto de vida chamado “ter filhos”. Logo que me tornei mãe, surgiu a vontade de compartilhar dicas e informações que fossem úteis para outras mães, com opiniões colocadas de uma forma bem direta, leve, descontraída e acima de tudo, honesta. Todo o conteúdo é criado e selecionado com muito carinho antes de ser publicado porque sei o quanto ficamos felizes e aliviadas quando encontramos alguém para dividir os mesmos dilemas deste, imenso,universo infantil.. Este blog serve para ajudar as mães de primeira viagem que assim como eu, sonharam por este momento único em suas vidas e querem dar o melhor de sí para este novo ser, que de alguma forma nos torna uma pessoa melhor a cada dia. Tornam sim, não por mágica. Tornam-nos melhores porque se não queremos que gritem não podemos gritar. Porque se não queremos que mintam não podemos mentir. Porque temos de cumprir o que prometemos se queremos que o façam algum dia. Aprendemos depressa que se queremos que não façam não podemos fazer. Sim, os filhos têm esse dom. O dom de nos obrigarem a pensar no que fazemos.

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