O que aprendi com a maternidade

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Ser uma mãe à beira de um ataque de nervos,é mais fácil do que parece – como diz o dito popular, ‘não requer prática, nem tampouco habilidade’. O que mais acontece, depois que viramos mãe, é a mania de querer comparar-se e principalmente, comparar nossos filhos com o dos outros. Pode saber…comparar-se: muito, e o tempo todo; analisar criteriosamente filhos, maridos e rotinas das amigas, elaborar listas imaginárias detalhando tudo o que você não tem, não sabe ou não consegue, mas os outros sim; criar mapas mentais das vidas maravilhosas de todas as outras mães do planeta, das habilidades fantásticas de seus filhos e suas conquistas inatingíveis; fazer longas planilhas contendo informações detalhadas (quanto mais números e datas, melhor) sobre a precocidade do filho dos outros e as incríveis qualidades das mães perfeitas – só vai fazer de você uma mãe infeliz e neurótica.

Mas tem uma coisa que eu realmente fiz, mas não recomendo. Não fiz por querer, mas por falta de tempo, ou melhor, planejamento da minha parte. Eu admito que me isolei muito neste universo materno. Tem tempos que não saio com minhas amigas, isso ocorre apenas quando elas resolvem me visitar. Culpa minha também, até porque nunca tive o costume de ficar ligando etc. A dica é: não cultive a solidão como quem cultiva uma planta rara e muito delicada; porque chega uma hora que a gente se acostuma com isso e fica cada vez mais difícil ter uma vida social. Se a gente fornecer 24h do nosso tempo, exclusivamente para os nossos filhos, eles vão querer então, é bom reservar um tempinho só para a gente fazer o que gosta, de preferencia sem os filhos e não se culpe por isso. Eu por exemplo, não abro mão da minha ginástica ( que acaba sendo terapia para mim) e o CineMaterna, que nada mais é que uma oportunidade de você ir ao cinema com o filhote e encontrar outras mães, para trocar experiências. Não se negligencie, não deixe suas necessidades de lado,coma direito, descanse quando der (isso eu ainda não coloquei em prática) e se permita fazer algo só para você; não elimine da rotina diária tudo o que lhe dá prazer ou ajuda a relaxar; fazer algo pelo outro é sempre bom, mas não esqueça de fazer algo por você mesma; lembre-se: você é importante, e o seu bem estar faz toda a diferença para a felicidade familiar!

Vejo por aí, muitas mães irritadas com os seus filhos. Não as julgue, de imediato. Se você ainda não passou por isso, pode ter a certeza que vai passar momentos e mais momentos de perder a paciência. Isso é normal, o anormal é irritar-se muito, com tudo e o tempo todo. Eu me considero muito calma. Se quebrar, quebrou; Se sujar, eu limpo depois; se não é perigoso, pode brincar à vontade e por aí vai. A única coisa que me deixa fora do eixo, é passar um bom tempo na cozinha preparando a comida dele e quando vou dar, ele não comer e pior, cuspir tudo no chão ou sofá.Mas é claro, que tem dias que também acordo virada, muitas vezes pelas noites mal ou não dormidas. O segredo é: contar até dez, ás vezes até cem. Tente não deixar a irritação vir como uma onda, percorrendo seu corpo desde o dedo mindinho até a raiz dos cabelos, entregar-se a ela sem resistência e deixar que tome conta de tudo – é um perigo! Não se transforme em um monstro verde que cospe fogo e solta fumaça pelas ventas.

Eu não passei por isso, mas também encontro várias mulheres que idealizam: a si mesma, a tudo e a todos, muito e o tempo todo; alimentam fantasias idílicas sobre a maternidade perfeita que gostariam de vivenciar, sobre a mãe incrível, onipotente e onipresente, sorridente e disposta 24 horas por dia, que gostariam de ser. A dica é se informar muito à respeito da maternidade. Minha gente…leiam bastante, se informem das coisas. A informação está aí para quem quiser. Muito do que lí, me foi super útil. Desde que sai da maternidade, com o meu primeiro filho, estava segura de como ia cuidar dele. Claro, que muito do que lí também não foi colocado em prática e por aí vai. Não crie imagens mentais sobre os filhos comportados, simpáticos, educados e obedientes em tempo integral que você gostaria de ter; não se apegue a estes sonhos.

O que eu, realmente, aprendi com a maternidade foi não endurecer-me comigo e com todos ao nosso redor; aprendi a não fazer da rigidez minha palavra de ordem. O mais importante é flexibilizar, respirar muito, não aposentar o bom humor e se permitir mudar de ideia ( isso acontece o tempo todo); não seja carrasca com você e com os outros. Tentar controlar tudo, e todos o tempo todo só vai gerar uma bela gastrite e/ou úlcera em você. Outra coisa, que ainda estou aprendendo é delegar tarefas. Dividir responsabilidades, e deixar que façam por você aquilo que você está tendo dificuldades para fazer sozinha é super importante. Na maioria das vezes, temos a terrível mania de tentar criar olhos nas costas, nas laterais e em todos os cantos do corpo.Exigir saber de tudo o tempo todo e cuidar de cada mínimo detalhe de tudo o que tem a ver com nossos filhos é desgastante demais,tente confiar em quem se prontifica a cuidar com o seu filho. Algo que me tirava do sério era permitir que decisões fossem tomadas sem passar pelo meu crivo e aprovação, por mais superficiais e desimportantes que fossem; hoje já não ligo tanto porque sei que quem convive com o meu filho, só quer o seu bem mesmo que muitas vezes não siga a minha linha de pensamento. Aprendi, na marra, a não me agarrar aos pequenos detalhes como a tábuas em um naufrágio; lembre-se, a centralização do poder não é sua única garantia de sobrevivência!

Não leve tudo, e o tempo todo tão a sério. Brinque, ria e ache graça quando as coisas fugirem ao planejamento, ou derem errado. As coisas acabam não sendo tão divertidas, quando são programadas tudo cartesianamente. Tem coisa melhor quando nos permitimos ser surpreendidos?? não chute para longe a leveza, a poesia e a graça do cotidiano. Não faça com que tudo esteja sempre arrumadinho dentro da caixa correspondente, devidamente etiquetada; ordem, nem sempre, é progresso!

Uma coisa é certa, nunca duvide de seus instintos: quando ouvir a voz da sua consciência, vinda do canto mais profundo do seu coração, não ignore-a solenemente; acredite em você mesmo. Fiz coisas, com o Henrique, intuitivamente que deram 100% certo. como já escrevi acima, o que me ajudou foi ler bastante durante e após a gravidez. Mas também não obedeça cegamente as instruções, sem jamais questionar, infringir regras ou acrescentar reflexões pessoais; quando sua voz interior quiser dizer alguma coisa, não mande-a calar a boca – lembre-se, o filho é seu, mesmo que o resto do mundo (leia-se: familiares, amigos,o filho do padeiro da esquina e o especialista clínico da vez) venha lhe dizer como você deve cria-lo!

Espero que tenham gostado do post ;)
Beijos

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Sobre Mães de Plantão

Sou jornalista de formação, blogueira por paixão, esposa e full time mom de uma belíssima dupla: Henrique e Joaquim; uma mamãe ocupada por opção e de coração! Mães de Plantão é um blog com conteúdo voltado especialmente para mães, gestantes ou ainda, apenas simpatizantes desse grande projeto de vida chamado “ter filhos”. Logo que me tornei mãe, surgiu a vontade de compartilhar dicas e informações que fossem úteis para outras mães, com opiniões colocadas de uma forma bem direta, leve, descontraída e acima de tudo, honesta. Todo o conteúdo é criado e selecionado com muito carinho antes de ser publicado porque sei o quanto ficamos felizes e aliviadas quando encontramos alguém para dividir os mesmos dilemas deste, imenso,universo infantil.. Este blog serve para ajudar as mães de primeira viagem que assim como eu, sonharam por este momento único em suas vidas e querem dar o melhor de sí para este novo ser, que de alguma forma nos torna uma pessoa melhor a cada dia. Tornam sim, não por mágica. Tornam-nos melhores porque se não queremos que gritem não podemos gritar. Porque se não queremos que mintam não podemos mentir. Porque temos de cumprir o que prometemos se queremos que o façam algum dia. Aprendemos depressa que se queremos que não façam não podemos fazer. Sim, os filhos têm esse dom. O dom de nos obrigarem a pensar no que fazemos.

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